Voltando a Jogar depois dos 30

Existe idade Balzaquiana para jogadores de RPG?

Já vi um monte de comentários em outros blogs sobre como é jogar com 30 anos. Tem até um podcast da terceira terra falando sobre isso (De repente trinta). Mas não vi ninguém que tenha se afastado do RPG por algum tempo e esteja tentando voltar depois dos trinta anos.

Acho que eu e alguns de meus companheiros talvez façamos parte de um grupo seleto. Tudo que posso fazer é me perguntar o porquê. Não acho que tenha achado respostas, mas aqui vão minhas considerações:

1 – Diferente da adolescencia e início da juventude, normalmente aos 30 as responsabilidades batem a sua porta. Trabalho, responsabilidades do lar, filhos (em alguns casos) são coisas que geralmente afastam alguém de seus hobbies de infância. Mas se isso já aconteceu há algum tempo, se você já está afastado há algum tempo do RPG ou outro hobbie, voltar é muito dificil porque isso envolveria uma alteração de rotina ou readaptação de habitos, e essas coisas são dificeis.

2 – Alguém aí já experimentou dizer a esposa que vai sair pra jogar RPG pela primeira vez depois do casamento? E se esta é a primeira vez desde que você conheceu ela? Pode ser dificil, garanto.

3 – O tempo é um fator importante quando se já avançou nos 20. Quiça quando se chegou aos trinta. Há pouco tempo disponível para dividir entre família, amigos, namorada/esposa/filhos. Eu Calho de ser também um concurseiro e isso significa usar a maior parte do tempo livre para estudar. Se você vai recomeçar com um sistema completamente novo, vai te tomar algum tempo lendo algumas regras até você se adaptar ao esquema.

4 – atualmente, RPG é um hobbie caro, let’s face it. Pra quem já se desfez de tudo que tinha, recomeçar pode pesar no bolso. Verdade que existe por aí alguns PDFs de sistemas antigos ( e Deus, eu agradeço por isso todos os dias), mas comprar um livro novo do jogador pode tirar do teu fim de semana aquele cineminha com jantar (se for 4ed pode tirar até o leite das crianças).

5 – Estigma. Eu disse que ia ser sincero e franco. Há e haverá sempre estigma a perseguir os jogadores de RPG. Sad but true. Família, amigos (outros), conhecidos, até do próprio jogador. Quem continua jogando desde sempre já aprendeu a lidar com isso em fases diferentes da vida. Mas quem está voltando agora passa por uns bocados.

Há outros aspéctos que poderia apontar aqui, mas estes são os que tenho enfrentado ultimamente. Espero que haja mais de nós ai fora. Assim não me sentiria tão só nessa empreitada.

No próximo post, começo a falar da campanha e do Ad&d que é o que interessa.

Até mais.

Old School = Escola Véia. Sim, e daí?

Beleza. Jogo Ad&d, que é um sistema que tem quase a minha idade (1a. ed. data de 1985, acho). Mas jogar velharia é jogar old school?

Pra começar, um sistema antigo não é a mesma coisa que um sistema ultrapassado. Pense um vinho bom. O tempo só fará bem a ele. Lembra da Paula Toller no início do Kid abelha? Já viu a loira ultimamente? Entende o que eu quero dizer?

Jogar Old school ou escola velha é uma forma de jogo não um jogo em sí.

Se você pensar em jogar RPG – não só AD&d – old school, você estará pensando em jogar um RPG focado no que ele é: Uma forma de se divertir.

Vamos fazer melhor. Quem começou a jogar RPG no início dos anos 90 vai lembrar dos velhos livros jogos com sisteminha Aventuras Fantásticas do steve jackson e do ian livingstone. Lembram desses? TrÊs atributos, dois d6 e um pouco de criatividade era tudo que se precisava para uma tarde de muita aventura. O sistema em si era explicado em 10 paginas, no máximo. Havia até outros livros com o sistema mais elaborado ( dungeoneer, blacksand) com habilidades extras, lista de magias e formas diferentes de montar os personagens.

“Certo. E o kico?” você me pergunta. O que você tem a ver com isso é que isso é a essência do old school. VocÊ não precisa de um calhamaço de regras pra jogar RPG. Basta algumas regras que te expliquem a mecânica básica e o resto se arruma durante o jogo com um pouco de jogo de cintura.

“Bom, mas o como isso responde a pergunta lá em cima?”.  Não tema, até aqui não há problema!! (típica citação dos personagens de Dungeoneer). Como eu dizia, jogar como escola véia não é jogar RPG com um sistema velho, muito menos com um sistema falho, mas sim jogar pelo prazer de jogar. O prazer de passar algumas horas com seus amigos trucidando orcs com seu machado depois de um duplo twist carpado só rolando um teste simples de DEX pra ganhar +2 no thaco (house rule véia essa!).

Isso significa que você não precisa ler mais um monte de livros da 4ed de D&d pra chamar seu novo grupo pra jogar. Muito menos precisa estudar todos os livros da 3.5ed pra entrar naquele grupinho de um conhecido seu. Não há mais desculpas. Aquele seu sisteminha velho, perdido no canto de sua prateleira, serve como sempre serviu no passado. Para ele voltar a te divertir, basta que você dê a ele uma nova chance olhando para ele com outros olhos.

Eu talvez não tenha sido muito claro, mas esse povo aqui já discutiu o tema um bocado e pode ajudar:

Mais um Blog da escola véia.

Pra ser muito sincero com todos vcs – meus ainda 1d3-2 leitores -o mundo real me cansa e envelhece meus sentidos.

Quem por aí, assim como eu, tem mais de 30 anos deve se pegar vez ou outra pensando no que fazia quando era mais jovem, ou como a vida era mais tranqüila quando se tinha 16 anos de idade. Foi pensando assim que decidi fugir do mundo real que me cerca (cheio de doutrinas de direito e processo empoeirados e bolorentos) para buscar algumas coisas da minha infância e adolescência que me faziam tão bem. Uma dessas coisas sempre foi passar uma tarde ou noite jogando conversa fora e jogando Ad&d com meus amigos.

Ê velha guarda!

Em fevereiro, aproveitei um apêndice inflamado e os dias de tédio que se seguiram à cirurgia para pesquisar, em minhas tralhas, os meus velhos Tomos e revistas, guardados a bem mais de dez anos.

Como todo NERD que se preze, sempre cuidei de meus Tomos com muito cuidado, mas não nego minha surpresa ao encontrá-los ( a maior parte deles, pelo menos) em perfeito estado de conservação guardados em uma caixa de papelão de um velho fogão empacotados em um papel impermeável com saquinhos de silica, sem nenhum sinal de mofo ou rasgo ou nacos comidos por traças.

/me = Pinto no lixo!!11

Como estava na iminência de cometer a loucura do matrimônio (uma ótima loucura por sinal), aproveitei a épocade distribuição de convites para rever bons amigos e perguntá-los se eles se interessavam em voltar a jogar um joguinho regular. A resposta foi unânime: “CLARO!!”

/me = pinto no lixo dançando Trance.

Desde então, estamos jogando tão regularmente quanto a vida adulta e as responsabilidades do lar nos tem permitido. Após 3 sesões de mais puro Ad&d escola véia, ainda precisamos desenferrujar muita coisa, mas é engraçado como a maior parte das coisas vem como se fosse reflexo.

É aqui que entra este blog. Ele foi pensado para registrar algumas dessas experiências do que é voltar a jogar RPG depois dos 30, assim como manter um diário de campanha, enaltecer o estilo escola véia de fazer as coisas e, quem sabe, trazer vez ou outra uma novidade sobre o tema.